O governo federal realizou, nesta quinta-feira (2), um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, ex-estudante de Direito da Universidade de Brasília (UnB), que foi vítima da repressão durante a ditadura militar brasileira. A cerimônia ocorreu na própria universidade, reunindo familiares, ex-colegas, representantes da comunidade acadêmica e integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e da Comissão de Anistia.
O ato simbólico reconhece oficialmente a responsabilidade do Estado brasileiro pelas graves violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar e busca reparar, ainda que de forma simbólica, o sofrimento enfrentado pela família da vítima e por toda a sociedade.
🎓 Quem foi Paulo de Tarso
Natural de Morrinhos (GO), Paulo de Tarso Celestino da Silva concluiu o curso de Direito na UnB em 1969. Filho do ex-deputado federal Pedro Celestino da Silva, cassado após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), ele atuava como militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) e chegou a realizar estudos de pós-graduação na Universidade de Sorbonne, na França.
Segundo registros históricos, Paulo de Tarso desapareceu em 12 de julho de 1971, após ser capturado por agentes do DOI-CODI, no Rio de Janeiro, junto com a militante Heleny Ferreira Telles Guariba.
📚 Relatos apontam tortura e desaparecimento
Investigações conduzidas por comissões da verdade e por órgãos de direitos humanos apontam que Paulo de Tarso foi levado para a chamada Casa da Morte, centro clandestino de repressão mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE), em Petrópolis (RJ).
Depoimentos de sobreviventes indicam que ele foi submetido a sucessivas sessões de tortura durante aproximadamente 48 horas antes de desaparecer. A documentação reunida pelas investigações também aponta que diversos presos políticos executados naquele local tiveram seus corpos ocultados para dificultar qualquer identificação.
⚖️ Reconhecimento oficial
Durante a cerimônia, a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, afirmou que o desaparecimento de Paulo de Tarso representa uma das expressões mais graves da violência praticada pelo Estado brasileiro durante o período da ditadura.
Segundo ela, a ausência de informações sobre o destino da vítima continua impedindo que familiares tenham acesso ao direito ao luto e reforça a necessidade permanente da busca pela verdade histórica.
A ministra destacou ainda que a iniciativa integra uma série de ações voltadas à reparação simbólica das vítimas da ditadura e ao fortalecimento das políticas públicas de memória e direitos humanos.
🏛️ Universidade destaca defesa da democracia
A reitora da Universidade de Brasília, Rozana Naves, ressaltou que lembrar a trajetória de Paulo de Tarso significa reafirmar a defesa da liberdade acadêmica, da autonomia universitária e do pensamento crítico.
Segundo ela, preservar essa memória é fundamental para impedir que violações semelhantes se repitam e para fortalecer a democracia brasileira.
📌 Fonte: Agência Brasil