O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom do discurso nesta terça-feira (2) e responsabilizou integrantes da família Bolsonaro por uma suposta articulação junto ao governo dos Estados Unidos que teria resultado em ataques ao sistema de pagamentos Pix e na proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Durante evento realizado no Hospital Universitário de Rio Verde, em Goiás, Lula acusou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de solicitar ao presidente norte-americano Donald Trump uma intervenção contra o sistema financeiro brasileiro.
"O tal do bolsonarista foi aos Estados Unidos e pediu para o Trump intervir no Pix brasileiro. Você acha que a gente vai deixar? Não vai deixar", declarou o presidente.
A declaração ocorre poucos dias após Flávio Bolsonaro e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, se reunirem com Donald Trump na Casa Branca, em Washington.
Após o encontro, autoridades norte-americanas divulgaram um relatório questionando o funcionamento do Pix, alegando que o sistema prejudicaria empresas privadas de pagamento eletrônico, como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.
Além disso, os Estados Unidos passaram a discutir a possibilidade de impor uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida pode atingir cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas aos EUA, afetando diversos setores da economia nacional.
Em outro compromisso realizado na cidade de Catalão (GO), Lula voltou a criticar Flávio Bolsonaro e afirmou que qualquer ação para pressionar economicamente o Brasil teria consequências diretas para a população.
"Ele não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários brasileiros e o agronegócio", afirmou.
O presidente também criticou o que classificou como uma tentativa de negar participação nas articulações internacionais.
"Hoje ele aparece dizendo que não falou nada. Todo covarde é assim", declarou.
Lula afirmou que o sucesso do Pix estaria incomodando empresas estrangeiras devido à eficiência e à popularidade do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também saiu em defesa da ferramenta, destacando que o Pix é uma infraestrutura pública de pagamento e não um produto comercial.
Segundo a entidade, o sistema promove concorrência, inclusão financeira e melhora o funcionamento da economia brasileira, sem impor barreiras à entrada de novos participantes no mercado.
Durante a agenda em Goiás, Lula visitou o Hospital Universitário de Rio Verde, unidade que recentemente realizou a primeira cirurgia robótica do Centro-Oeste utilizando o sistema Da Vinci X.
Ao defender investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), o presidente destacou a importância da democratização do acesso a tratamentos de alta complexidade.
Em um momento descontraído, Lula comentou publicamente sobre o tratamento de um câncer de pele.
"Vocês estão vendo minha cabeça? Está machucada porque eu tive um câncer de pele e estou tratando para ficar bonitão", brincou.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado qualquer medida contra o Brasil durante o encontro com Donald Trump.
Segundo o senador, sua atuação foi justamente para defender os interesses nacionais e evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros. Ele também informou que enviou uma carta ao presidente norte-americano reforçando esse posicionamento.
O episódio amplia a disputa política entre governo e oposição e coloca o Pix, um dos sistemas financeiros mais utilizados pelos brasileiros, no centro de um debate que ultrapassa as fronteiras do país.
📌 Fonte: Agência Brasil