O Superior Tribunal Militar (STM) condenou Ana Lúcia Umbelina Galache de Souza a três anos e três meses de prisão por estelionato e crimes contra o patrimônio. Ela foi considerada culpada por falsificar documentos para se passar por filha de um militar que combateu na Segunda Guerra Mundial e, assim, receber pensões do Exército. Além da pena de prisão, Ana Lúcia terá que devolver os R$ 3,7 milhões recebidos indevidamente ao longo de 33 anos.
Segundo a acusação, Ana Lúcia, que na verdade era sobrinha-neta de Vicente Zarate, ex-integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), adulterou documentos aos 15 anos para se registrar como filha do militar. Com isso, passou a receber a pensão após a morte dele, em 1988, até ser descoberta em 2022.
De acordo com a denúncia, em 1986, Ana Lúcia foi registrada como filha de Vicente Zarate e Natila Ruiz em um cartório de Campo Grande (MS). Com a nova identidade e CPF, solicitou a pensão militar, que foi concedida pelo Exército dois anos depois.
A Defensoria Pública da União (DPU), que prestou assistência jurídica à ré até dezembro de 2024, argumentou em recurso que Ana Lúcia era menor de idade quando a fraude foi cometida e não tinha plena consciência dos efeitos do ato. No entanto, o STM rejeitou a apelação, e a DPU encerrou sua atuação no caso, alegando não haver possibilidade de novos recursos.
O esquema permaneceu oculto até 2021, quando a avó de Ana Lúcia, insatisfeita com um acordo entre elas, denunciou a fraude à Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. Durante o interrogatório, a ré confessou o crime.
Ao longo de mais de três décadas, Ana Lúcia recebeu integralmente a pensão destinada a filhos de segundo sargento, gerando um prejuízo milionário aos cofres públicos.