A missão brasileira em Portugal, que acompanha as eleições autárquicas (municipais) portuguesas, conta com a expertise de Alagoas no grupo de trabalho responsável por mapear estratégias de transparência e combate à desinformação.
O estado é o único do país com um Núcleo de Integridade de Informação e um Observatório de Desinformação, criados em parceria pioneira com o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) — uma iniciativa que tem servido de referência nacional no enfrentamento aos boatos e à manipulação de conteúdo digital.
A comitiva, liderada pelo Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Comunicação (CNSECOM), busca retornar ao Brasil com soluções testáveis para fortalecer a confiança pública e o uso ético de tecnologias, incluindo a inteligência artificial (IA), na comunicação institucional.
O vice-presidente do CNSECOM e secretário de Comunicação de Alagoas, Wendel Palhares, destacou a importância da missão como espaço de aprendizado e cooperação.
“A comunicação pública é tecnologia de confiança. Observar as eleições em Portugal é aprender, no terreno, como Estado, universidades e imprensa organizam respostas a boatos, moderam o debate e entregam informação útil ao cidadão — sem discutir a urna, mas o ecossistema que sustenta a democracia”, afirmou Palhares.
Enquanto a delegação brasileira observa o processo eleitoral português, Alagoas se destaca por já colocar em prática o que muitos estados ainda estudam implementar.
“Estamos em um momento único. Observamos as soluções portuguesas trazendo na bagagem a experiência alagoana, que já está em fase operacional. O nosso Observatório, criado com o TRE-AL, é a materialização do que discutimos em fóruns internacionais: uma cooperação institucional robusta para proteger o debate público”, reforçou o secretário.
A missão também integra a preparação do I Summit de Comunicação Pública Lisboa–Brasil, que será realizado em novembro, na Universidade de Lisboa.
Entre os integrantes da comitiva está a professora e doutora em Ciência Política Luciana Santana, diretora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).
“Sistemas são diferentes — Portugal unitário, Brasil federativo —, mas os padrões de comportamento eleitoral e de circulação de desinformação dialogam. A academia entra com método: mapeia narrativas, identifica atores, mede impacto e oferece evidência para a decisão do gestor”, explicou.
Em Alagoas, essa parceria já se traduz em ações concretas, como bolsas de mestrado voltadas à integridade da informação e a abertura de bases de dados para pesquisa aplicada em políticas públicas.
O CNSECOM, com o apoio de Alagoas, pretende transformar as observações da missão em protocolos nacionais de enfrentamento à desinformação. A equipe realiza testes de “etnografia rápida”, analisando boatos recorrentes e avaliando respostas oficiais para aprimorar o fluxo de comunicação entre governo e sociedade.
“Esclarecer não é simplificar: é organizar problemas complexos com dados, ouvir a academia e entregar políticas comunicacionais previsíveis”, destacou Palhares.
A missão também estuda o uso responsável de IA generativa na comunicação pública, priorizando a validação humana e a rastreabilidade das informações.
No balanço final, Wendel Palhares destacou que a troca de experiências entre Brasil e Portugal representa um caminho de mão dupla, no qual Alagoas ocupa papel de destaque.
“Há muito o que Portugal e Brasil podem ensinar um ao outro. Levar a experiência do nosso Núcleo de Integridade para este debate internacional mostra que Alagoas não só acompanha as melhores práticas globais, mas também as implementa e inova, colocando-se na vanguarda da defesa da informação e da democracia no Brasil.”
📄 Fonte: Agência Alagoas
✍️ Redação: Vital News