Fome mundial ainda afeta 645 milhões de pessoas, aponta novo relatório da ONU

Número de pessoas em situação de fome caiu pelo terceiro ano consecutivo, mas insegurança alimentar ainda compromete a vida de mais de 2 bilhões de pessoas no planeta

Por Por Agência Brasil com Redação Vital News*
4 Min

Fome mundial ainda afeta 645 milhões de pessoas, aponta novo relatório da ONU
© Foto: FAO/Albert Gonzalez Farran

A fome continua sendo um dos maiores desafios da humanidade. Apesar de apresentar redução pelo terceiro ano consecutivo, cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O levantamento foi elaborado em conjunto pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Organização Mundial da Saúde (OMS), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Unicef.

📉 Fome diminui, mas ainda está longe da meta

Segundo o relatório, 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025, representando uma redução de quase 14 milhões de pessoas em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022.

Mesmo com a melhora, os números permanecem acima da meta estabelecida pela ONU de erradicar a fome até 2030.

Durante a apresentação do estudo, em Roma, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou que ainda são necessários investimentos e maior compromisso político.

"Acabar com a fome e tornar dietas saudáveis acessíveis exige compromisso político, investimento sustentado e políticas públicas eficazes", declarou.

🍽️ Mais de 2 bilhões vivem insegurança alimentar

Além da fome, o relatório revela que 2,1 bilhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar moderada ou grave, condição caracterizada pela dificuldade de acesso regular a alimentos suficientes e nutritivos.

O número representa 25,8% da população mundial, uma redução em relação aos anos anteriores, mas ainda superior aos índices registrados antes da pandemia da Covid-19.

🌍 África concentra situação mais crítica

O continente africano segue como a região mais afetada pela crise alimentar.

Segundo a ONU:

  • cerca de 309 milhões de africanos passaram fome em 2025;
  • 20% da população africana enfrenta insegurança alimentar grave;
  • mais da metade dos habitantes do continente vive algum grau de insegurança alimentar.

Enquanto isso, países da Ásia, América Latina e Caribe apresentaram melhora gradual nos indicadores.

👩 Mulheres e crianças continuam entre os mais vulneráveis

O relatório destaca que mulheres e crianças seguem sendo os grupos mais atingidos.

Entre os principais indicadores apresentados estão:

  • 150 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem com atraso no crescimento causado pela desnutrição;
  • apenas 30,8% das crianças entre seis e 23 meses recebem alimentação minimamente diversificada;
  • o índice de anemia entre mulheres em idade fértil continua aumentando;
  • a obesidade adulta também segue em crescimento em diversas regiões do planeta.

💰 Alimentação saudável continua cara

Outro dado preocupante é o custo dos alimentos.

Segundo a FAO, 2,69 bilhões de pessoas ainda não conseguem pagar por uma alimentação considerada saudável.

O custo médio mundial de uma dieta adequada chegou a US$ 4,28 por pessoa ao dia, valor superior ao registrado nos últimos anos.

A América Latina e o Caribe apresentam um dos maiores custos médios para alimentação saudável.

⚠️ Conflitos e mudanças climáticas preocupam

O estudo alerta que guerras, eventos climáticos extremos, redução da ajuda internacional e crises econômicas podem comprometer os avanços obtidos nos últimos anos.

Entre os fatores de risco citados estão:

  • conflitos armados;
  • mudanças climáticas;
  • redução do financiamento humanitário;
  • instabilidade nos preços dos alimentos.

Para os organismos internacionais, ampliar investimentos na agricultura, infraestrutura, irrigação, pesquisa e cadeias de abastecimento será essencial para reduzir os custos da alimentação e garantir maior segurança alimentar até 2030.


📌 Fonte: Agência Brasil / FAO / ONU


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