5 pontos estranhos na chamada “crise dos OVNIs”
Tudo começou com um balão chinês, que atravessou o território dos EUA por vários dias até ser abatido em 4/fevereiro
Foto: The Pentagon/Wikimedia Commons
Nas últimas 72 horas, os EUA abateram três objetos voadores não identificados. Por que os americanos não divulgaram imagens das interceptações? E por que, ao contrário de OVNIs anteriores, esses foram tão fáceis de derrubar?
Tudo começou com um balão chinês, que atravessou o território dos EUA por vários dias até ser abatido em 4/fevereiro. Para os americanos, tratava-se de um objeto de espionagem; a China, que admitiu ser dona dele, disse que era apenas um balão meteorológico perdido. O assunto parecia superado até que, nos últimos dias, houve mais três aparições de objetos voadores não-identificados (OVNIs) sobre a América do Norte: um no Alasca, dia 10; outro no Canadá, dia 11; e um terceiro perto do Lago Huron, no nordeste dos EUA, ontem (dia 12).
Os três foram abatidos por caças americanos. A sequência de aparições, bastante intrigante, detonou uma série de especulações. Ontem, em entrevista coletiva, o general Glen VanHerck, da Aeronáutica dos EUA, disse que não podia descartar uma possível origem alienígena dos três objetos. “Estamos nos referindo a eles como ‘objetos’, e não como ‘balões’, por um motivo”, afirmou. Os americanos não divulgaram, até agora, imagens dos objetos – que certamente foram filmados pelas câmeras e sensores dos caças F-16 e F-22 usados nas interceptações.
No domingo, o jornal estatal chinês Global Times publicou um tuíte relatando o suposto avistamento de um objeto não-identificado em Rizhao, na costa leste do país, que estaria prestes a ser abatido. Porém, isso não foi confirmado. Hoje, o Global Times publicou uma reportagem afirmando que os EUA invadiram o espaço aéreo chinês, com balões de espionagem, mais de 10 vezes desde janeiro de 2022.
As tensões entre EUA e China, que já eram grandes por causa de Taiwan, subiram um degrau com a chamada “crise dos OVNIs”. Mas nela há várias pontas soltas, incluindo coisas que parecem não fazer sentido. Vamos a elas.
1. O que a China teria a ganhar com tantos balões?
O país já possui satélites de espionagem capazes de enxergar o território americano. Ok, ela está bem atrás dos EUA nos satélites de órbita baixa (LEO), que são os melhores para isso (porque orbitam mais perto da Terra, a 500 km em média, contra os 20 mil km dos satélites GPS e os 35 mil km dos satélites geoestacionários, que transmitem sinais de TV).
Enquanto a Starlink, americana, já opera mais de 3.000 satélites de órbita baixa, os chineses ainda estão começando: em maio de 2022, lançaram três satélites LEO, seguidos por mais nove em junho. Eram satélites civis, como os Starlink. Mas nada impede que sejam utilizados para espionagem (o que, naturalmente, também vale para os Starlink). A China também tem alguns satélites polares, que orbitam a 1.000 km – e conseguem enxergar qualquer objeto, em terra, que meça pelo menos 25 centímetros.
Em suma: o país está conseguindo avançar nos satélites de órbitas baixas. Em tese, não precisaria se expor ao risco geopolítico de enviar balões, lentos e facilmente detectáveis, para espionar o território americano. Se ela quiser tirar fotos, em alta resolução, pode fazer isso com seus satélites.
Talvez os balões sejam capazes de observações que os satélites não conseguem (como detecção de infravermelho e sinais eletromagnéticos, ou análises da composição da atmosfera, por exemplo). Mas a equação risco/benefício desse método de espionagem parece bem ruim.
2. Por que cada objeto tem um formato distinto – e diferente do primeiro balão?
Segundo Anita Anand, ministra de Defesa do Canadá, o objeto não-identificado abatido no céu do país tinha formato cilíndrico. Já o do Lago Huron, nos EUA, era octagonal, disse um oficial americano não-identificado à emissora CNN. (Os EUA não informaram o formato do objeto derrubado no Alasca, dizendo apenas que “não era uma aeronave propriamente dita”.)
Cilindro e octágono são formatos totalmente diferentes do balão chinês, uma bola de aproximadamente 30 metros de diâmetro. O objeto octagonal até pode ter algum parentesco com um balão -segundo o oficial ouvido pela CNN, havia cordas penduradas nele-, mas e o de formato cilíndrico? Por que a China enviaria objetos de espionagem tão diferentes, e todos ao mesmo tempo?
Caça americano F-22, usado para interceptar objetos não-identificados no Canadá e no Alasca. Remo Guidi/Stocktrek Images/Getty Images
3. Por que os objetos foram tão fáceis de abater?
Em 2021, o Pentágono publicou um relatório sobre 144 avistamentos de objetos voadores não-identificados ao longo de 15 anos. Antes, em 2019, alguém vazou três vídeos, gravados por navios militares e caças americanos, que mostram objetos fazendo manobras estranhas, aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico, e desaparecendo. Na época, os EUA confirmaram a autenticidade dos vídeos – leia mais sobre eles nesta reportagem da Super.
Leia mais em: https://super.abril.com.br/coluna/bruno-garattoni/5-pontos-estranhos-na-chamada-crise-dos-ovnis/
FONTE: Super Interessante