Até 40g: MP muda regra e orienta PM a não prender usuários de maconha em AL
Novo protocolo transforma abordagem policial em procedimento administrativo e segue decisão do STF sobre porte para uso pessoal
©Reprodução
O Ministério Público de Alagoas (MPAL) estabeleceu uma nova diretriz que altera diretamente a atuação da Polícia Militar em casos de porte de maconha para consumo próprio. A recomendação, baseada em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), determina que usuários flagrados com até 40 gramas da substância não devem mais ser presos.
A medida segue o julgamento do chamado Tema 506, no qual o STF retirou o caráter criminal do porte para uso pessoal, estabelecendo critérios objetivos para diferenciar usuário de traficante.
📊 O que muda na práticaA partir da nova orientação, quando um cidadão for abordado com até 40g de cannabis — ou até seis plantas fêmeas — e não houver indícios de tráfico, o procedimento será administrativo.
Ou seja: ✔️ A droga será apreendida ✔️ O usuário será identificado ✔️ Será lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) no local
✔️ O cidadão será liberado, sem condução à delegacia
As medidas aplicadas passam a ser educativas, sem gerar antecedentes criminais.
⚖️ Quando ainda pode haver prisãoA condução à delegacia continua prevista, mas apenas em situações específicas, como:
- Resistência à abordagem
- Dúvida sobre a identidade do abordado
- Indícios concretos de tráfico
- Presença de outras drogas
Mesmo que a quantidade esteja dentro do limite, a existência desses fatores pode mudar o enquadramento da ocorrência.
🔍 Mais rigor técnico nas abordagensO MP também determinou que as equipes policiais passem a contar com estrutura adequada para garantir segurança jurídica nas ações.
Entre as exigências estão: 📦 Balanças de precisão 📦 Embalagens apropriadas 📦 Lacres numerados
📦 Registro completo da cadeia de custódia
Todo material apreendido deverá ser encaminhado ao Instituto de Criminalística para perícia.
⏱️ Prazo para adaptaçãoA Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar terão até 30 dias para informar as medidas adotadas para cumprir a recomendação, incluindo aquisição de equipamentos e treinamento das equipes.
⚠️ Impacto da decisãoA mudança representa um novo capítulo na política de drogas no Brasil, com foco na distinção entre usuário e traficante. A expectativa é reduzir prisões desnecessárias e desafogar o sistema de justiça criminal, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre o tratamento dado ao consumo de entorpecentes no país.
Fonte: Ministério Público de Alagoas (MPAL), Supremo Tribunal Federal (STF)