Saúde mental não cabe em um mês e janeiro pode ser emocionalmente mais pesado do que parece

Por Por Assessoria / Especialista entrevistada*-
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Saúde mental não cabe em um mês e janeiro pode ser emocionalmente mais pesado do que parece
© Reprodução*

Janeiro é tradicionalmente marcado por campanhas de conscientização sobre saúde mental, como o Janeiro Branco, mas o sofrimento emocional vivido por milhões de brasileiros não começa nem termina com o calendário. Para a psicóloga Candice Galvão, o início do ano, longe de ser leve, pode se tornar um dos períodos mais desafiadores do ponto de vista psicológico.

Segundo a especialista, existe uma forte expectativa social de que janeiro represente renovação imediata, motivação e disposição para mudanças. Quando esse estado emocional não se concretiza, muitas pessoas passam a se sentir frustradas e culpadas.

“O discurso do recomeço cria a ideia de que todos precisam começar o ano bem. Quem não consegue entra em um ciclo de autocrítica, ansiedade e sensação de fracasso precoce”, explica Candice Galvão.

Durante o Janeiro Branco, o debate sobre saúde mental ganha visibilidade, mas a psicóloga alerta para um risco recorrente: tratar o cuidado emocional como algo pontual ou simbólico.

“Saúde mental não é campanha. O sofrimento psíquico não segue datas comemorativas. Quando limitamos esse cuidado a um mês, reforçamos a ideia de que ele é secundário”, afirma.

Outro ponto levantado pela psicóloga clínica é a banalização do autocuidado nesse período. Para ela, o excesso de mensagens motivacionais e fórmulas prontas pode gerar o efeito contrário.

“Autocuidado não é estética emocional nem pensamento positivo forçado. Quando cuidar de si vira performance ou obrigação, ele deixa de proteger e passa a gerar mais cobrança”, pontua.

Janeiro também concentra fatores que impactam diretamente o equilíbrio emocional. Retorno ao trabalho, dívidas acumuladas, metas irreais e conflitos familiares não resolvidos costumam se intensificar logo nas primeiras semanas do ano.

“É um mês que reúne pressões financeiras, profissionais e emocionais ao mesmo tempo. Muitas pessoas não percebem o quanto isso afeta a saúde mental”, explica Candice.

Nesse contexto, a especialista reforça que a psicoterapia não deve ser vista apenas como último recurso.

“Terapia não é para quando tudo desmorona. Ela é prevenção, organização emocional e fortalecimento psíquico. O cuidado contínuo com a saúde mental precisa ser normalizado”, destaca.

Ao falar sobre o Janeiro Branco, Candice Galvão defende que a campanha seja um ponto de partida, não um limite.

“Janeiro é importante para abrir conversas, mas cuidar da saúde mental precisa ser um compromisso ao longo do ano. O sofrimento humano não cabe em um único mês”, conclui.

📲 Para saber mais, acesse o Instagram: @candicegalvaopsicologia


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