O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) aplicou uma multa de R$ 100 mil à concessionária BRK Ambiental após identificar o lançamento irregular de esgoto no mar da Ponta Verde, em Maceió. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (16), com base em análises laboratoriais realizadas no último dia 9, após denúncia encaminhada ao órgão ambiental.
De acordo com o laudo técnico, a água coletada em uma galeria paralela à Avenida Sandoval Arroxelas apresentou reprovação em quatro parâmetros. Foram encontrados materiais flutuantes, como espuma, graxa e resíduos de sabão, além de lixo visível. Os testes também apontaram níveis elevados de sulfeto total, quase quatro vezes acima do limite permitido. A substância é considerada tóxica, podendo comprometer a vida aquática e afetar a saúde humana.
Outro dado considerado crítico foi a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), indicador que mede a poluição orgânica da água. Os valores registrados indicaram esgotamento do oxigênio dissolvido, condição que pode provocar a mortandade de peixes e outros organismos marinhos.
As análises também identificaram a presença de 4,8 milhões de coliformes em apenas 100 mililitros de água, evidenciando forte contaminação fecal. Entre os microrganismos detectados estão bactérias como Escherichia coli, Klebsiella, Enterobacter e Citrobacter. O contato com a água contaminada pode causar infecções, ampliando o risco à saúde pública em uma das praias mais frequentadas por moradores e turistas.
Segundo o IMA, os resultados confirmam a presença de efluente sanitário, caracterizando esgoto doméstico. A infração foi classificada como grave, resultando na autuação da BRK Ambiental e na determinação de adoção imediata de medidas corretivas.
O diretor-presidente do IMA, Gustavo Lopes, destacou que o monitoramento ambiental tem sido intensificado em áreas sensíveis do litoral. “As análises na Ponta Verde são fundamentais para embasar tecnicamente as ações de fiscalização e garantir respostas efetivas diante de irregularidades que afetam o meio ambiente, a balneabilidade das praias e a saúde pública”, afirmou.
O instituto informou que seguirá acompanhando a região e adotando providências administrativas para evitar novas ocorrências. A reportagem entrou em contato com a assessoria da BRK Ambiental e aguarda posicionamento da empresa.