Quatro dias após sua eleição, o novo papa começa a dar os primeiros sinais do estilo que pretende imprimir à Igreja Católica. Norte-americano Robert Prevost, agora Leão XIV, reforça compromisso com diálogo e inclusão.
O pontificado de Leão XIV, eleito na última quinta-feira (8), começa a ganhar forma. Primeiro papa norte-americano da história, Robert Prevost tem atraído atenção mundial por seu perfil conciliador e por mensagens iniciais centradas na justiça social e na construção de pontes entre povos e culturas.
Em seus primeiros dias como sucessor de Francisco, Leão XIV reforçou, em pronunciamentos e aparições públicas, um discurso voltado à unidade e ao acolhimento. No tradicional pronunciamento do balcão da Basílica de São Pedro, logo após sua eleição, o pontífice emocionou os fiéis ao destacar a continuidade do legado de Francisco e pedir união diante dos desafios contemporâneos.
“Deus ama a todos. O mal não prevalecerá. Estamos todos na mãe de Deus, portanto, sem medo, unidos, mão a mão com Deus e entre nós, sigamos adiante”, declarou Leão XIV, logo após assumir o papado.
Aos 69 anos, Prevost é originário de Chicago, mas construiu grande parte de sua vida pastoral no Peru, onde também obteve cidadania em 2015. Missionário agostiniano, foi bispo da Diocese de Chiclayo entre 2015 e 2023, quando foi chamado por Francisco a chefiar o dicastério responsável pela nomeação de bispos — cargo de grande influência no Vaticano.
A eleição de Leão XIV foi resultado de dois dias de votação entre os 133 cardeais reunidos no Conclave. Apesar de ser pouco conhecido fora dos círculos internos da Igreja, seu estilo reservado e compromisso com as causas sociais conquistaram a confiança dos colegas cardeais.
Desde então, o novo papa tem mantido uma agenda reservada no Vaticano, mas já sinalizou que continuará a promover os princípios da “Igreja em saída” defendidos por seu antecessor, com atenção especial às periferias, ao diálogo inter-religioso e à sustentabilidade.
A expectativa é que Leão XIV mantenha o foco em temas como justiça social, combate à pobreza, fortalecimento da fé nas novas gerações e mediação de conflitos. Em um momento de tensões globais e polarizações, seu apelo por pontes em vez de muros tem repercutido positivamente entre católicos e não católicos.
“A humanidade necessita de pontes para que sejam alcançadas por Deus. Construir pontes com diálogo, para sermos um só povo sempre em paz”, declarou o papa, em sua primeira bênção Urbi et Orbi.
Nos próximos dias, são aguardadas as primeiras decisões práticas do novo pontificado, incluindo mudanças em cargos estratégicos da Cúria Romana e a definição de prioridades para o seu governo.